em minha cadeira reclinável
inspiro o ar pesado da capital
expiro o que meu pulmão consegue expelir
na mesa eu apoio uma caneca de café
café preto com meia colher de açúcar
na densidade do ar rarefeito
observo o vapor do meu café
com os olhos circundo a redondeza
percebo a movimentação dos vizinhos
o vôo dos pássaros
os cães latindo
penso sobre as coisas dessa vida
finalmente tomo meu primeiro gole de café
a garganta queima
sinto o sabor amargo
me remete as amarguras dessa vida
então questiono tantos fatos
busco por respostas na filosofia
e o aconchego na psicologia
grande parte não depende de mim
são idas e vindas
eu me conformo
repito para mim inúmeras vezes
que a vida é feita de ciclos e que eles se encerram.
Thábata Piccolo
Curitiba, Inverno 2024



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