é outro dia e a história se repete
palavras soltas em discussões
sem pedido de desculpas
sem compaixão
as brigas
as emoções
a flor da pele
não tem amor
disputa de egos
você me fere e eu te firo
com a faca em mãos
cravo em seu peito
vejo lentamente o seu desfalecimento
não em meus braços
observo o seu corpo indo de encontro ao chão
sem que eu nada faça
se você está cansado
posso dizer que eu estou ainda mais
se você perdeu a esperança
saiba que eu nunca a tive
se você esperou que eu fosse melhorar
eu sempre acreditei que tudo fosse piorar
abro a estação inverno
com esse poema gélido
gélido quanto a vida
quanto a dor
quanto a nossa despedida
não tem arrependimento
acabou o sentimento
nos dias frios e de sereno
o vento corta o meu rosto
encaro o céu escuro
tão preto quanto o abismo
sem poder enxergar
a lua e as estrelas
só tem eu e o ar quente
que exala da minha boca
se propaga no ar
e vai embora
parte como todos partem
chegou a hora de ir embora
meu corpo ainda permanece
mas a minha alma baila pelo mundo
esperando ser verdadeiramente livre
amar e ser amada
dançar envolta do melhor abraço
apreciar o imenso sorriso
daquele que me pedir a mão
vou me poupar
não quero o desgaste
guardo meu amor
para o casamento
aliança nos dedos
os corpos
os nomes
as almas
não espere nada de mim
sua insuficiência venceu
venceu sua preguiça e teu colo vazio
tua fala maldita
e as chances perdidas
não espere nada de mim
eu não estou disponível para você.
Thábata Piccolo
Curitiba, Inverno 2024


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