Representação da ânsia
 
O silêncio da ausência é ensurdecedor
escutar o sangue correndo pelas veias do corpo
resulta em uma agonia profunda
bem como ao abrir os olhos e permanecer escuro
na presença das vozes no íntimo da cabeça 
 
O declínio do contato é estarrecedor
tatear ao redor e deparar-se com o nada
mas nada seria pior
do que viver onde não cabemos
retirar-se sem alarde
 
É entender que daquele canto nunca fez parte
inexiste a decepção quando já se aguarda
e conhece todos que ali estão
melhor afastar-se
das bocas profanas e almas mundanas.
 
Thábata Piccolo
 
Curitiba, Outono 2026 

O tempo voou 
e agora com a idade
percebemos fatos que 
passaram desapercebidos
não nego que
sinto muito por tantos
erros cometidos por ti
"eu sou poeta e não aprendi a amar"
também não aprendi a perdoar
tentando escrever
em versos simples
admitindo a falta de amor
e de perdão
verdade é que
em diversos momentos
sua palavra carregava razão
eles eram, eles são e eles sempre serão
assim, de vangloriar
os poucos acertos
esquecer os recomeços
julgar seus atos travessos
na tentativa profana 
de escusar ações daquele
este que
por muito, ausente esteve
distante não em quaisquer dias
mas naqueles dias
de só quem deita 
sabe que é impedido de dormir
afundando em problemas
aceitando promessas
duvidando de tudo
e carregando solo o fardo
de sentir-se só e desamparado.
 
Thábata Piccolo
 
Curitiba, Outono de 2026 

Ainda ontem
falávamos sobre gratidão
e como externar o que sentimos
 
Ainda ontem
vivemos mais um dia
sem nos dar conta
de tantos outros que passaram
e aquele fora apenas mais um
 
Ainda ontem
comentávamos sobre ter paciência
enquanto organizávamos o que restou
 
Ainda ontem
relembrávamos dias tristes
que enfrentamos juntos
 
Ainda ontem
buscávamos nos conformar
sobre o dia que passaremos
pela nossa maior perda
 
Ainda ontem
fizemos planos para a vida
sem saber se hoje
estaríamos aqui.
 
Ainda ontem...
 
Thábata Piccolo
 
Curitiba, Verão 2026 
 

Tão doce teu olhar
entre a luta contra o relógio
ponteiros que mexem-se sem parar 
amável é a transparência do teu ser
me faz transcender
entre amar profundamente ou
me perder
nos lamentos por cronometrar
o tempo que nos resta
se é que nos resta
tão puro é
aquele que ama sem desconfiar
ama-te por inteiro como tu és
sem tirar nem pôr 
ao som das grandes gotas de chuva
escrevo sobre a pureza do teu ser
é como a limpidez da água
e levo como lição para a vida
teu jeito simples de viver
uni, duni, tê
eu e você.
 
Thábata Piccolo 
 
Curitiba, Verão 2026. 

Se crime fosse amar-te 
deixaria que os guardas levassem-me
e por detrás das grades prendessem-me
por todos os remanescentes dias
 
 
digo-lhe de passagem
que o grande delito por mim cometido
é não falar-te o quão intenso é
o sentimento
 
 
deixar que a vida passe
diante de nossos olhos
os quais encontram-se e
desencontram-se com receio
 
 
perdoe-me por essas vagas palavras
o érrê encanta-me.
 
 
Thábata Piccolo
 
  
Curitiba, Primavera 2025 

Psicografando a dor
 
O dia a mais é o dia a menos
a noite tranquila
desconhece o tormento
da mente que perambula pelas vielas
observando as notícias e não novelas
eis aqui um corpo
que carrega uma vida
a história de alguém
o coração nunca mais bateu
os olhos nunca mais abriram
aquele corpo que já foi abrigo
e o abraço quente de alguém
agora é gélido
morto
embaixo da terra
para nunca mais acordar
a pessoa que sempre esteve ali
agora não mais está
houve um momento em que foi o último
o piscar final dos olhos
último batimento cardíaco
última respiração
ninguém sabe
hoje estou
amanhã não
nada restou
as mãos gélidas
do corpo sem vida
enterrado num buraco primitivo
adubando o solo
fui o amor de um
fui o filho de outro
o neto daquele
o funcionário exemplar
mas no dia seguinte a empresa abriu
a avó levantou e passou o café
e de quem eu era amor
hoje sou lembrança 
amanhã talvez
depois eu não sei.
 
Thábata Piccolo
 
Curitiba, Primavera 2025 

Nunca mais amanheceu  
todas as vinte e quatro horas
foram tomadas pela penumbra.
Ao fundo eu ouvi
uma voz melancólica
que me perguntou:
- Onde vais? Estais perdida?
Eu falei que procurava por um senhor
chamado Deus
e que há muito eu buscava encontrar
o caminho iluminado
naquele instante a voz riu e debochou
me disse que o que eu procurava não existia
descobri que estava no limbo
não existia arco-íris
tampouco pote de ouro
a menina nunca quis o ouro
mas dentro dela ainda reluzia
a esperança de encontrar o senhor e o caminho. 
 
Thábata Piccolo
 
Curitiba, Inverno 2025

A ponto de sentir 
a alma sucumbir
acreditei que jamais suportaria
a dor da partida que ainda não existiu
o sentimento aflora pela dor futura
e o medo fez-se presente em mim
cenário estarrecedor
a escuridão daquela noite
invadiu a minha alma sombria
se propagou na minha realidade
que desacreditada buscou
abrigo onde nunca existiu
momentos
aqueles que meus olhos puderam ver
desejei por alguns minutos
que eu não pudesse enxergar
e que eu fosse incapaz de amar
ao esquecimento eterno
mantendo a indagação 
essa, pertinente aos meus ideais
Deus, onde você está?
 
Thábata Piccolo 
 
Curitiba, Inverno 2025 

Ao abstrato 

a proximidade revelou coisas que eu já sabia
de perto eu tentei identificar 
se realmente existia aquilo que a minha mente criou
não era criação
era a emoção que vertia do peito
e o riso sem jeito
era a fala que carregava
a alegria de ter sido ouvida
e debatida com maestria
constatei que nunca foi uma criação
sempre existiu e sempre existirá
nem sequer era tudo aquilo
porque na verdade
era muito mais
feliz e acolhedor
um sorriso profundo e sem culpa
eu espero a reconstrução
de momentos advindos da erroneidade
aguardo 
o início e o fim
e espero que o fim 
possa ser também um recomeço meu
daquilo que será uma nova história.
 
Thábata Piccolo
 
Curitiba, Inverno 2025 

 

 

Não deixe que o medo te consuma
e destrua as tuas vontades
não deixe que o tempo leve
tudo aquilo que não se pode recuperar
não deixe que a dúvida te domine
enquanto sente a sua voz embargar
não deixe que os teus olhos
me sigam dispersos e permaneçam à distância
se você pode me tocar
ainda que não saiba
ainda que não viva
ainda que lhe pairem as perguntas
não passe a vida em busca das repostas
viva intensamente e tudo que é seu
virá ao seu encontro.
 
Thábata Piccolo
 
Curitiba, Outono 2025

Convido-te para o campo
num caminhar fugaz da cidade
distante dos barulhos centrais
lhe convido a trocar a rotina exaustiva
pela tranquilidade da natureza
aguçando o olfato a sentir
o cheiro do mato molhado
na varanda a nossa rede
para nos embalarmos aos raios de sol
prometo lhe passar o café
colher os ovos do nosso bolo matinal
e depois caminharmos pela trilha
com os pés na terra úmida
nos molharmos até os joelhos nas águas limpas
que afastam o mal e regeneram o amor
na tua mão o meu esteio
longe do caos de tantas luzes
das casas quadradas e sem personalidade
uma viagem de férias para a Itália
pizza e romance
vamos, meu bem
ainda há tempo de viver o que sonhamos
desista dos dias vazios e do medo de sentir.
 
Thábata Piccolo
 
Curitiba, Outono 2025

Me recuso a juntar as letras 
que formam essa palavra
a qual trata do que sinto
quando penso em você
e é como forma de protesto
que aqui estou e me manifesto
psicografando frases
que estavam guardadas
onde desconheço
poucos minutos
relatam uma vida
tratam de amores
chapiscam nossas dores
momentos indolores
letras, apenas letras
palavras, somente palavras
não preenchem o vazio que aí está.

 

Thábata Piccolo

Curitiba, Outono 2025

Sinto os nervos a flor da pele
a expressão é essa
todas as vezes
que lhe vejo na janela
da janela
tantos cacos
são vidros que blindam
pus nos olhos outros olhos
em meu cheiro outros cheiros
usei panos para cobrir
pedaços que eu queria te mostrar
vesti nos pés meus calçados
os quais usei para caminhar
em sua direção
grande pena que em minha ida
era a sua volta
e em minha volta
era a sua ida.
 
Thábata Piccolo
 
Curitiba, Outono 2025

Afastei-me
de todos aqueles que me julgaram
daqueles que nas palavras me desistimularam
dos que me rejeitaram
e mais aqueles que subestimaram
a minha essência
que aos meus olhos
não agiram na decência
afastei-me
e pouco caso faço
os nós desataram e assim me desfaço
não digo ser melhor
pelas atitudes e
comparado aos meus irmãos
afundaria meus pensamentos
venderia os sentimentos
não digo ser melhor
tampouco pior
pelos meus lamentos
antes só e limpo
do que junto e sujo.
 
Thábata Piccolo
 
Curitiba, Outono 2025

Há quem busque um propósito
de vida ou existência
há quem divague por aí
sem entender o que é um propósito
almas frias deslizam entre os prédios e ladeiras
imensidões de concreto que destruíram as belas visões
o som frenético de uma grande cidade
tampando os cantarolares dos pequenos seres que habitam aqui
há tanta vida e não há nada
tantos lugares abrigando corpos físicos
enquanto as almas deles vagam por aí
assombrando
dementes
entre mentes
as linhas
estações
vazias
apinham carne e osso
cobrando o tempo que ninguém tem
a máquina mais cara não é o relógio
e sim o que ele detém
eu me entrego.
 
Thábata Piccolo
 
 Curitiba, Outono 2025

Dia 28 de janeiro de 2025
Falo sobre a ânsia de ter
a procura incessante
daquilo que não se sabe
sem a certeza do querer
a ânsia de possuir
e a repulsa de nada ter
o abismo escurecido
internamente a falta de paz
a presença do que se tem
com deixar de ter
vivo eu
para adquirir?
e alcançar o que?
se a perda programada
nos faz decair
saudade antecipada
de quem ainda não se foi
choro angustiado
daquele que não faleceu
a ânsia de ter e possuir
faz a alma padecer e sucumbir
como posso nada ter
se tudo eu tenho.
 
Thábata Piccolo
 
Curitiba, Verão 2025

Não pude dizer
o medo que eu passei
jurei que te perderia para sempre
acreditei que você iria embora
sem nunca ter sabido de nós
o nós que só eu sei
criei em mim
você faz parte de todos os cenários
que encenei nos pensamentos
você faz parte de todos os momentos
e ainda não sabe
das vezes que eu abracei o ar
imaginando ter você
as vezes eu te respondo mentalmente
sem você nada ter me perguntado
esse é o nós
aquele que só eu sei
você quase se foi
permaneceu e eu não te contei
das vezes que eu senti teus beijos
mas sem beijar
das vezes que senti teu toque
mas sem tocar
das vezes que fui dormir
mas sem conseguir apagar
mentalizando meus desejos
e o nosso amor
que bom que você ficou
em nenhuma versão da minha vida eu deixaria você partir
eu te amo há dois ou três
anos vividos
e tantos outros que virão
trago em meu peito
simples amor e
denso como o ar das grandes cidades.
 
Avante Príncipe!
 
Thábata Piccolo
 
Curitiba, Verão 2025

 

Em cada letra de música eu estarei
em cada esquina e em qualquer lugar
nas novelas e nos filmes de romance
pelos cantos e arredores
eu estarei

Nos teus sonhos
no gosto da tua boca
no brilho dos teus olhos
no afago e
naquele beijo no pescoço

Eu sempre estarei
nessa sua vida
e em todas as demais 
nem a espiritualidade é capaz
de explicar

A minha raiva estoura 
em minhas veias
as mesmas que pulsam
pela minha boca
Eu te amo.
 
Thábata Piccolo
 
Curitiba, Primavera 2024

Você pode até fugir de mim
não irá adiantar
você pode passar ao meu lado
e fingir que não me viu
pode até mesmo apurar o passo
para que eu não te alcance
você pode não direcionar o olhar a mim
e tantas outras atitudes
que eu sinceramente já esperava de você
o problema não é esse
 
Amor
você não vai poder fazer o principal
enganar a sua mente para fingir não me conhecer
nem vai poder apagar da sua memória
as imagens de nós dois trocando carícias 
não vai poder esquecer o gosto
que é beijar a minha boca
nem fazer com que a sua pele
não tenha sentido o meu toque
teus cabelos já foram afagados por mim
teus lábios foram beijados pelos meus
teus olhos se encontraram diretamente com os meus e
teus passos sempre serão em minha direção
mesmo que você não queira
e a tua fala embargada
teu olhar lacrimejado
teu corpo suado e exausto
sempre vai ter sido meu
nas tuas lembranças eu sempre viverei
porque ninguém conseguirá te tocar como eu te toquei
o meu toque não só deixou marcas em sua pele
quanto na sua vida
e a minha voz doce nunca se perderá
na imensidão do mundo 
pois só ela sussurrou no seu ouvido 
exatamente aquilo que você queria ouvir.
 
Thábata Piccolo
 
Curitiba, Primavera 2024

Amor eu sou um bobo 
temerário e impetuoso
sou cabeça dura e 
ao mesmo tempo ardiloso
mulher eu amo as tuas curvas
meus olhos se perdem em tantas voltas
os teus longos cabelos
emaranhados
entrelaçam o meu querer
eu lhe digo
case-se comigo
sou teu homem
malvado e protetor
sou teu lobo
uivando para a lua
enquanto clamo teu amor
sou cafejeste e carinhoso
não serei apenas teu
mas sempre serei o seu primeiro
eu tenho o dom
sambe comigo em nossa laje
eu tenho dom
sou virtuoso
eu tenho o dom
meu olhar é flecha
você é o alvo
eu tenho o dom
sou caçador
e você a presa
eu tenho o dom
sou o suor que escorre
e você enxuga
teu mel entre os meus dedos
meu membro ereto
supre os teus desejos
eu tenho o dom
sou único e tentador.

Thábata Piccolo
 
Curitiba, Primavera 2024


Rotineiramente nessa caminhada lenta
dou passos curtos pelas ruas arborizadas
enquanto observo as máquinas criadas
pelos seres humanos
percorrendo o mesmo espaço em grande velocidade
deixando para trás a calmaria
marcando a cidade com sua poluição
os dias são caóticos e marcados pelos minutos do relógio
horário certo para cada afazer
penso e lamento por isso durante meu passeio
enquanto isso uma mão está vazia
e a outra segura a guia
do meu animal de estimação
visto uma capa alegre
ao perceber a felicidade do meu doce cão
quando cheira tantos aromas novos
e passeia por tantas gramas úmidas
escrevo isso me recordando desse momento
mas já acalentada em meu leito
em meio ao caos desse mundo
percebo de relance um barulho
ao me virar
meus olhos te fitam
percebo que você já havia me notado ali
quando te vejo eu acesso um universo paralelo
é avesso
meu coração pula e me recordo do tom da sua voz
lamento por não poder correr em sua direção
e procurar aconchego nos teus braços loiros
quem sabe deitar a cabeça em teu peito
quanto tempo terei de esperar
agonizante sim
eu ainda vou dizer que eu te amo tanto
passo todos os meus dias
fazendo planos do nosso amor
e se não for nessa vida ainda
que seja na próxima
pois não há tortura maior
do que amar imensamente e não poder 
fazer de dois corpos um só.
 
Thábata Piccolo
 
Curitiba, Primavera 2024

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Abrir mi corazón...


Decido nuevamente abrir mi corazón
a la llegada del amor
despejando aquel dolor de lo pasado
y abrir mis ventanas
otra vez a la ilusión,
a la esperanza, a la pasión,
dejando aquel pasado en un costado...



Decido nuevamente abrir mi corazón
permitiéndome la llegada
de ese hermoso sentimiento,
que me completa, que es mi cimiento,
que me da vida, que es mi alimento...



Decido nuevamente abrir mi corazón
porque creo firmemente en el amor
sin importar las consecuencias
que ésto implique...
vacío, tristeza, soledad
o tantas ganas de llorar...
porque en el amor,
nos guste o no,
el dolor también existe...



Y no me importa, a pesar de ésto
te estoy abriendo de nuevo corazón,
ya pronto volverás a latir intensamente,
amando como ayer, profundamente
y serás nuevamente felíz,
tanto o más de lo que fuiste
al recuperar toda esa magia que perdiste...



Decido nuevamente abrirte, corazón,
mirando como siempre hacia adelante,
para darte como solo sabes darte,
intensa, sincera, dulcemente,
con amor, sin ningún temor
e inocencia al entregarte...


Laly Zayas