há quem divague por aí
sem entender o que é um propósito
almas frias deslizam entre os prédios e ladeiras
imensidões de concreto que destruíram as belas visões
o som frenético de uma grande cidade
tampando os cantarolares dos pequenos seres que habitam aqui
há tanta vida e não há nada
tantos lugares abrigando corpos físicos
enquanto as almas deles vagam por aí
assombrando
dementes
entre mentes
as linhas
estações
vazias
apinham carne e osso
cobrando o tempo que ninguém tem
a máquina mais cara não é o relógio
e sim o que ele detém
eu me entrego.
Thábata Piccolo
Curitiba, Outono 2025


